Quando J. R. R. Tolkien publicou sua obra infanto-juvenil “O Hobbit”, provavelmente não fazia idéia do sucesso que estava por vir. Foi a primeira vez que a Terra-média, um universo mágico saído diretamente das idéias do autor, alcançou os leitores de todas as partes do planeta. Diante dessa popularidade, não tardou para que os editores encomendassem uma continuação. Tolkien, então, começou a dar forma àquela que se tornaria a sua obra máxima: “O Senhor dos Anéis”.

No início, tudo levava a crer que se tratava apenas de uma seqüência para “O Hobbit”. Porém, com o passar do tempo, a trilogia foi crescendo, ganhando conteúdo, até chegar ao que é conhecido hoje. E não ocorreu tudo de um dia para o outro. Foram necessários dezesseis anos para a publicação, pois fatores como a Segunda Guerra Mundial e a constante necessidade de Tolkien em querer aprimorar sua criação se tornaram as grandes causas dessa demora.

Assim como seu predecessor, “O Senhor dos Anéis” continua a saga dos seres da Terra-média em aventuras épicas. Mas, dessa vez, tudo é muito mais amplo, detalhado e emocionante. Novas raças são apresentadas, lugares ainda mais belos que Valfenda ou o pacato Condado aparecem e personagens já conhecidos retornam para auxiliar na jornada da nova geração de heróis.
A obra é composta de três volumes e conta a história da “Guerra do Anel”, onde todos os Povos Livres se juntam para tentar impedir o retorno de Sauron, o maléfico senhor de Mordor. O vilão está em busca do Um Anel, artefato criado pelo próprio e que dá ao portador o poder de dominar toda a Terra-média.

A grande esperança de salvação está em um jovem hobbit, Frodo Bolseiro, que recebe a missão de conduzir o Um Anel ao local onde foi forjado. Trata-se da Montanha da Perdição, situada no interior de Mordor, onde o objeto deve ser atirado, causando sua destruição e o fim da ameaça de Sauron.

Para ajudar na difícil jornada, Frodo conta com Gandalf, um velho e sábio mago, Aragorn, um nobre guerreiro exilado, os hobbits Sam, Pippin e Merry, o elfo Legolas, o anão Gimli e o humano Boromir. Juntos, eles enfrentam os mais terríveis obstáculos, sendo perseguidos por assustadores orcs, gigantescos trolls e cavaleiros negros, entre outras criaturas.

A trama é envolvente e consegue trazer emoções novas a cada capítulo. Cada personagem tem uma personalidade marcante, única, que vai crescendo e se fortalecendo no decorrer da história e fazendo com que o leitor se identifique com pelo menos um deles. Outra característica que merece destaque é a descrição dos ambientes, marca registrada de Tolkien. Há passagens de tirar o fôlego, como a jornada dentro das sombrias cavernas de Mória ou a emocionante batalha nos campos de Pelennor.

A ação acontece de forma crescente nos três volumes. O primeiro, “A Sociedade do Anel”, começa lembrando um pouco a narrativa simples de “O Hobbit”, com uma grande festa, muita alegria e situações cômicas. Quando os hobbits partem do Condado, a trama ganha mais suspense, com os traiçoeiros cavaleiros negros no encalço dos heróis. E a aventura só vai aumentando no decorrer dos capítulos, alternando com momentos mais calmos, como Tom Bombadil, a estada em Valfenda e a visita a Lothlórien, o mais belo dos reinos da Terra-média, governado por Galadriel, a senhora dos elfos.

O segundo volume, “As Duas Torres”, começa com uma grande reviravolta que muda os rumos da narrativa. A ação está muito mais presente neste livro, que traz uma emocionante batalha onde homens e orcs se enfrentam. Personagens que terão importância fundamental nos momentos finais, como o rei Théoden, a donzela Éowyn e o nobre Faramir são apresentados. Com a ameaça de Sauron crescendo cada vez mais, os heróis amadurecem, perdendo um pouco do espírito brincalhão.

A etapa final do grande épico de Tolkien acontece no volume três, intitulado “O Retorno do Rei”. Aqui são narrados os acontecimentos finais da “Guerra do Anel”, a grande batalha entre o bem e o mal. O livro possui uma narrativa muito mais dramática e acelerada que os anteriores, com uma sucessão alucinante de eventos épicos. Frodo Bolseiro está cada vez mais próximo de alcançar seu objetivo, mas as forças do Mal farão tudo para impedir a sua missão.

Apesar das mais de mil páginas, “O Senhor dos Anéis” é uma leitura obrigatória não só para admiradores do gênero fantasia, mas para qualquer leitor que queira conhecer um dos maiores clássicos da atualidade, um épico sem igual, que inspirou autores de todas as partes e revolucionou o mercado literário.

Por Alfredo Stadtherr

 







07.08.2007

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